segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Na encruzilhada


2010 ficará conhecido como o ano que definiu a viabilidade – e a desejabilidade – do leitor eletrônico portátil, em detrimento do tradicional papel pintado, representado através dos séculos por jornais e revistas.
E tudo dependerá do impacto do iSlate – ou iTablet – que a Apple parece pronta a lançar no final deste mês. Parente mais parrudo e maior do iPhone (medindo 10 polegadas, mas sem oferecer a capacidade de fazer ligações), o novo leitor eletrônico supera de longe os atuais Kindle (da Amazon) e nook (da rede norte-americana de livrarias Barnes & Noble) em tamanho e possibilidades (tela sensível ao toque, em cores, com navegador de internet wi-fi, aplicações coma as do iPhone, biblioteca audiovisual administrada via iTunes, e, se forem confirmados os rumores das internas, videoteleconferência).
O sucesso das vendas pela Amazon dos livros eletrônicos - os e-books - , três vezes superiores às de livros de papel, já atestam a aceitação do novo formato. Mas o que se espera com a entrada em cena do iSlate é uma mudança revolucionária, histórica, de hábitos, porque agora o leitor eletrônico trará não apenas texto em preto-e-branco, mas conteúdo audiovisual em alta resolução: as matérias dos jornais e das revistas reagem ao toque do usuário e geram boxes e vídeos relacionados ao texto principal. Um excelente exemplo do que está por vir pode ser visto neste vídeo de demonstração de como seria a versão para iSlate da revista Sports Illustrated (aqui: http://www.youtube.com/watch?v=ntyXvLnxyXk). Tudo isso usando um dispositivo portátil. É uma nova maneira de se ler revista que aponta para um futuro estimulante para a própria imprensa.
Ironicamente – ou apropriadamente – o iSlate chega às lojas no mesmo ano que o diário inglês The Times celebra, robusto, seu 225º aniversário, em contraste às ruínas da imprensa “tradicional” no mundo inteiro, especialmente nos EUA, abalada pelo fechamento de títulos tradicionais (acabaram nos EUA revistas consideradas sólidas e saudáveis, como Gourmet e Vibe; o jornal Miami Herald passou o chapéu entre os leitores, pedindo grana para fechar as contas; e até o trade de jornais americanos, a publicação que costumava tomar o pulso daquela indústria, bateu as botas).
O leitor eletrônico pode até vir a matar a maneira de se consumir imprensa - ou seja lá como vamos chamar esse conteúdo daqui por diante - , mas tem tudo para servir de tônico para a indústria que até agora produzia apenas papel pintado, hoje à beira do abismo: na medida em que os leitores eletrônicos se popularizarem, haverá a necessidade de mais profissionais (repórteres, designers, editores) para produzir esse conteúdo.

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