Em 1992, Camilo Lara era um rapaz gorducho e sorridente, pouco mais que um garoto, que trabalhava no departamento internacional da EMI na Cidade do México. Nos conhecemos no estúdio de Prince, em MIneápolis, para a festa de lançamento do Love Symbol Album, na época em que o músico, de mal com a Warner, assinava seu nome com um símbolo impronunciável e distribuía seus discos através da EMI. Regada a refrigerante, água e nada de álcool (por ordem e convicção do anfitrião), a festa culminou com um show incendiário que varou a madrugada fria. De lá, partimos todos de volta para o hotel, onde Camilo e eu matamos a fome e a sede – e trocamos telefones e endereços.
Não muito tempo depois, Camilo foi meu anfitrião e guia na Cidade do México para uma investigação in loco do então emergente rock em español. De quebra, me levou de carro pela periferia até chegarmos à casa de Juan Garcia Esquivel, o então septuagenário que nos anos 50 e 60 se popularizara com um estilo de música instrumental idiossincrática que misturava jazz, ritmos latinos, sons futuristas e efeitos vocais. Deitado em sua cama, Esquivel nos recebeu com café-com-leite e muitas histórias que até hoje não publiquei.
Quinze anos mais tarde reencontro Camilo, graças a uma matéria da National Public Radio dos Estados Unidos. Aquele garoto doce, quase tímido, é hoje a sensação da música mexicana, lançando mesclas de folclore mexicano com batidas eletrônicas, trechos de antigos discursos políticos, samples de pop anos 80, tudo creditado a um tal Instituto Mexicano de Som – que não existe, pois é uma “banda” que consiste exclusivamente de Camilo, hoje mais gordo e com os ex-longos cabelos raspados.
Já imaginou uma banda mariachi tocando “Bittersweet Symphony”? Pois é, Camilo imaginou ...
sábado, 1 de agosto de 2009
IMS - Sinfonia agridulce
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